Em palestra na Câmara, Elisa de Paiva defende sociedade mais inclusiva

Causa da pessoa com deficiência é ‘uma luta pela democracia’, avalia publicitária durante atividade do Parlamento Jovem

Da comunidade local à indústria do entretenimento global, o que falta para que a sociedade contemporânea seja mais acessível e inclusiva? Foi essa a pergunta que a publicitária Elisa de Paiva se propôs a responder, na última quarta-feira (22/4), em sua palestra ao Parlamento Jovem de Minas (PJ Minas), na Câmara Municipal de Santa Rita do Sapucaí. A conferência aconteceu durante o sétimo encontro dos jovens parlamentares santa-ritenses nesta edição, cujo tema geral é “Inclusão da Pessoa com Deficiência e com Neurodivergência”.

“Santa Rita tem vários projetos e movimentos sobre inclusão”, reconheceu Elisa, que, por outro lado, criticou setores econômicos que veem as pessoas com deficiência (PcDs) “não como possibilidade, e sim como problema”. O que essa parcela da população espera da cidade, defendeu a palestrante, são oportunidades. “E acessibilidades em todo local online e offline”, completou, pois a causa das PcDs “é uma luta pela democracia de todas as pessoas”, envolvendo o direito de ir e vir.

Elisa de Paiva sugeriu que todos os cidadãos do Vale da Eletrônica, com ou sem deficiência, adotem três posturas para tornar a cidade verdadeiramente inclusiva: cobrar os gestores públicos e privados para que incorporem ações de acessibilidade; carregar a bandeira da inclusão no dia a dia, porque “não basta ser militante de telinha”; e não reproduzir discursos e atitudes capacitistas.

Numa reflexão de jovem para jovens (Elisa tem 25 anos e os participantes do PJ Minas são estudantes de ensino médio), a publicitária lamentou que a maioria das séries de streaming utilize atores sem deficiência ou neurodivergência para interpretar personagens criados com alguma dessas condições – prática capacitista conhecida como cripface. As únicas exceções citadas por ela foram as séries “9-1-1” (2018) e “Special” (2019).

Eisa explicou ter paralisia cerebral desde os quatro meses de idade, o que afeta sua comunicação verbal e mobilidade. Ela utilizou a saída de voz de uma plataforma de tradução automática para palestrar e responder perguntas de alunos das Escolas Estaduais Dr. Delfim Moreira (Grupão) e Sanico Teles, instituições que participam do Parlamento Jovem.